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27/07/2009

As Mesas Girantes...


AS MESAS GIRANTES

Uma série progressiva de fenómenos ajudava ao surgimento da doutrina espírita.


“O primeiro fato observado foi o da movimentação de objetos diversos. Designaram-no, vulgarmente, pelo nome de mesas girantes ou dança das mesas”.


Tal fenómeno parece ter sido notado primeiramente na América do Norte, de forma intensa, e propagou-se pelos países da Europa, como a França, a Inglaterra, a Alemanha, a Holanda e até a Turquia, nos meados do século XIX, tendo como marco, especialmente, o ano de 1848, com os fenómenos de Hydesville já estudados, envolvendo a família Fox. Todavia, a história regista que ele remonta à mais alta Antiguidade, tendo-se produzido de formas estranhas, como ruídos insólitos, pancadas sem nenhuma causa ostensiva. “A princípio quase só encontrou incrédulos, porém, ao cabo de pouco tempo, a multiplicidade de experiências não mais permitiu que pusessem em dúvida a realidade”. 


O fenómeno das pancadas, ou batidas, foi chamado “raps” ou “echoes”; o das mesas girantes, ou moventes, de “table-moving”, para os ingleses, “table-volante” ou “table-tournante”, para os franceses. No início, nos Estados Unidos da América, os espíritos só se comunicavam pelo processo trabalhoso, e de grande morosidade, de alguém dizer em voz alta o alfabeto e o espírito era convidado a indicar por “raps” ou “echoes”, no momento em que fossem pronunciadas as letras que, reunidas, deviam compor as palavras que queria dizer. Era a telegrafia espiritual. “Os próprios espíritos indicaram, em fins de 1850, uma nova maneira de comunicação: bastava, simplesmente, que se colocassem ao redor de uma mesa, em cima da qual se poria as mãos. 


Levantando um dos pés, a mesa daria (enquanto se recitava o alfabeto) uma pancada toda a vez que fosse proferida a letra que servia ao espírito para formar as palavras. Esse processo, ainda que muito lento, produziu resultados excelentes, e assim se chegou às mesas girantes e falantes”. “ Há que notar que a mesa não se limitava a levantar-se sobre um pé para responder às perguntas que se faziam; movia-se em todos os sentidos, girava sob os dedos dos experimentadores, às vezes elevava-se no ar, sem que se descobrissem as forças que a tinham suspenso”. O fenómeno das mesas girantes propagou-se rapidamente, e durante muito tempo entreteve a curiosidade dos salões. Depois, aborreceram-se dele, pois a gente frívola, que apenas imita a moda, o considerou como simples distracção. As pessoas criteriosas e observadoras, todavia, abandonaram as mesas girantes por terem “ visto nascer delas algo sério, destinado a prevalecer”, e “passaram a ocupar-se com as consequências a que o fenómeno dava lugar, bem mais importantes nos seus resultados. 


Deixaram o alfabeto pela ciência, tal o segredo desse aparente abandono” (...) “As mesas girantes representarão sempre o ponto de partida da doutrina espírita” e merecem, por isso, alguma explicação, para que, conhecendo-se as causas, facilitada será a chave para a decifração dos efeitos mais complexos. Para que o fenómeno se realize há necessidade da intervenção de uma ou mais pessoas dotadas de especial aptidão, designadas pelo nome de médiuns. (...) Muitas vezes um poderoso médium produzirá sozinho mais do que vinte outros juntos. Basta colocar as mãos na mesa para que, no mesmo instante, ela se mova, erga , revire, dê saltos ou gire com violência. 


A princípio, supôs-se que os efeitos poderiam explicar-se pela acção de uma corrente magnética, ou eléctrica, ou ainda pela de um fluído qualquer. (...) Outros factos, entretanto, demonstraram ser esta explicação insuficiente. Estes factos são as provas de inteligência que eles deram. Ora, como todo o efeito inteligente há-de, por força, derivar de uma causa inteligente, ficou evidenciado que, mesmo admitindo-se, em tais casos, a intervenção da electricidade, ou de qualquer outro fluido, outra causa a essa se achava associada. Qual era? Qual a inteligência”? 


As observações e as pesquisas espíritas realizadas por Allan Kardec, e outros sábios, demonstraram que a causa inteligente era determinada pelos espíritos, que podiam agir sobre a matéria, utilizando o fluido fornecido pelos médiuns, isto é, meios ou intermediários entre os espíritos e os homens, gerando, assim, as manifestações físicas e as manifestações inteligentes. Aperfeiçoaram-se os processos. 


As comunicações dos espíritos não se detiveram nas manifestações das mesas girantes. Evoluíram para as cestas e pranchetas, nas quais se adaptavam lápis, e as comunicações passaram a ser escritas – era a psicografia indirecta. Posteriormente, eliminaram-se os instrumentos e apêndices: o médium, tomando directamente o lápis, passou a escrever por um impulso involuntário e quase febril – era a psicografia direta.

CURSO BÁSICO DE ESPIRITISMO - Hydesville, As Irmãs Fox


HYDESVILLE —
As irmãs Fox, o ano de 1848
Historicamente, o espiritismo surgiu motivado pelos fenómenos de movimentação de objectos, verificados em diferentes países, na Europa, na América e noutras partes do mundo
O marco de tais acontecimentos, todavia, foram as manifestações ocorridas na aldeia de Hydesville, no condado de Wayne, perto de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Ali morava a família Fox, composta de três filhas, das quais duas viviam com os pais; os Fox estabeleceram-se na casa desde 1847”. 


“Numa noite do ano de 1848, nas paredes de madeira do barracão de John Fox começaram a soar pancadas incomodativas, perturbando o sono da família, toda ela metodista. As meninas Katherine (Katie ou Kate), de nove anos de idade, e Margareth, de doze anos, correram para o quarto dos pais, assustadas com os golpes fortes no tecto e paredes do seu quarto”. As pancadas, ou “raps”, começaram nessa noite; depois, ouvia-se o arrastar de cadeiras, e com o tempo os fenómenos tornaram-se mais complexos; tudo estremecia, os objectos moviam-se, havia uma explosão de sons fortes. (5) Três noites seguidas, até 31 de Março de 1848, os fenómenos repetiram-se intensamente, impedindo que os Fox conciliassem o sono. O sr. Fox fez buscas completas pelo interior e exterior da casa, mas nada encontrou que explicasse as ocorrências. A menina Kate, um dia, já habituada ao fenómeno, pôs-se a imitar as pancadas, batendo com os dedos sobre um móvel, enquanto exclamava, em direcção ao ponto onde os ruídos eram mais constantes: “Vamos, Old Splitfoot, faça o que eu faço”. Prontamente as pancadas do “desconhecido” se fizeram ouvir, em igual número, e paravam quando a menina também parava. “Margareth, a brincar, disse: “Agora, faça o mesmo que eu: conte um dois, três, quatro”, e ao mesmo tempo dava pancadas com os dedos. Foi-lhe plenamente satisfeito esse pedido, deixando a todos estupefactos e medrosos”. As meninas Fox eram protestantes e supunham tratar-se do demónio e chamavam ao batedor de sr. Splitfoot (Pé Fendido), que corresponde a pé de bode. 


A família Fox estava alarmada; acorreram vizinhos e curiosos. Toda a localidade comentava os acontecimentos. Duesler idealizou, então, o alfabeto, para poderem traduzir as pancadas e compreenderem o que dizia o invisível. O batedor invisível contou a sua história: chamava-se Charles B. Rosma; fora um vendedor ambulante e, hospedado naquela casa pelo casal Bell, ali o assassinaram, para roubar-lhe a mercadoria e o dinheiro que trazia, e o seu corpo fora sepultado na cave. “Fizeram uma busca no local indicado e aí encontraram tábuas, alcatrão, cal, cabelos, ossos, utensílios”. (...) “Uma criada dos Bell, Lucretia Pulver, declara que viu o vendedor, e descreve-o; diz como ele chegara à casa e refere o seu misterioso desaparecimento. Uma vez, descendo à adega, seu pé enterrou-se num buraco, e como falasse isto ao patrão, ele explicou que deviam ser ratos; e foi apressadamente fazer os necessários reparos. Ela vira nas mãos dos patrões objectos da caixa do ambulante”. Arthur Conan Doyle, no seu livro “História do Espiritismo”, relata que cinquenta e seis anos depois foi descoberto que alguém fora enterrado na adega da casa dos Fox. Ao ruir uma parede, crianças que por ali brincavam descobriram um esqueleto. Os Bell, para maior segurança, haviam emparedado o corpo, na adega, aonde inicialmente o haviam enterrado. Em 23 de Novembro de 1904, o Boston Journal noticiava que o esqueleto do homem que possivelmente produziu as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, em 1848, fora encontrado, e as mesmas estavam, portanto, eximidas de qualquer dúvida com respeito à sinceridade delas na descoberta da comunicação dos espíritos. Diversas comissões se formaram na época dos acontecimentos, com a finalidade de estudar os estranhos fenómenos e desmascarar a fraude atribuída às Fox. Verificou-se que eles ocorriam na presença das meninas; atribui-se-lhes o poder da mediunidade. Nenhuma comissão, todavia, conseguiu demonstrar que se tratava de fraude. Os factos eram absolutamente verídicos, embora tivessem submetido as meninas aos mais rigorosos e severos exames, atingindo, às vezes, as raias da brutalidade. 


As irmãs Fox foram, pressionadas. A Igreja excomungou-as, como pactuantes com o demónio. Foram acusadas de embusteiras, e ameaçadas fisicamente, muitas vezes. Em 1888, ao comemorar os 40 anos dos fenómenos de Hydesville, Margareth Fox iludida por promessas de favores pecuniários, pelo cardeal Maning, faz publicar uma reportagem no New York Herald em que afirma que os fenómenos que realizaram eram fraudulentos. Todavia, no ano seguinte, arrependida da sua falta de honestidade para com o Espiritismo, reúne grande público no salão de música de Nova Iorque e retracta-se das suas declarações anteriores, não só afirmando que os fenómenos de Hydesville eram reais, como provocando uma série de fenómenos físicos no salão repleto. “A retractação foi publicada na época. 


Consta da Light e do jornal americano New York Press, de 20 de Maio de 1889”. “Como, porém, a lealdade e a sinceridade não são requisitos dos espíritos apaixonados, ainda hoje, quando se quer denegrir a fonte do moderno espiritismo, vem à baila a confissão das moças. Na retractação não se toca, ou quando se toca é para mostrar que não há no que confiar. Os pormenores ficam de lado”. Os fenómenos aqui narrados e, as irmãs Fox, suas personagens principais, passaram para o histórico do Espiritismo. No entanto, o Espiritismo não aparece aqui, mas sim mais tarde, com a edição de «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, em 1857.