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25/03/2012

A Indulgência





Meus amigos, a indulgência é um sentimento tão doce, tão fraternal, tão sublime, e a Lei de Amor nos mostra como devemos cada vez mais fazer uso desse sentimento no nosso dia a dia.
A Indulgência é praticar o perdão com benevolência, olhando  e agindo com o próximo da mesma forma que gostaríamos que eles agissem conosco. Se não gostamos da maneira que uma pessoa nos trata, porque a tratarmos então da mesma maneira? É um exercício diário, procurando enxergar o que de melhor o nosso próximo tem em si mesmo em vez de ficar observando suas falhas, já que não somos perfeitos. Muitas vezes focamos tanto nos defeitos dos nossos irmãos, amigos, familiares, e esquecemos dos nossos próprios defeitos, esquecemos de olhar o que podemos melhorar dentro de nós mesmo. Por isso é um "exercício diário", pois sempre temos oportunidade de praticá-lo no nosso dia a dia, procurando olhar com amor e sem julgamento o que o nossos irmãos tem de melhor a oferecer.
Silvânia.

                                        




        A indulgência é esse sentimento doce e fraternal que todo homem deve alimentar para com seus irmãos, mas do qual bem poucos fazem uso.

        A indulgência não vê os defeitos de outrem, ou, se os vê, evita falar deles, divulgá-los.

        Ao contrário, oculta-os, a fim de que se não tornem conhecidos senão dela unicamente.

        E, se a malevolência os descobre, tem sempre pronta uma escusa para eles, escusa plausível, séria, não das que, com aparência de atenuar a falta, mais a evidenciam com pérfida intenção.

        A indulgência jamais se ocupa com os maus atos de outrem, a menos que seja para prestar um serviço.

        Mas, mesmo neste caso, tem o cuidado de os atenuar tanto  quanto possível.

        Não faz observações chocantes, não tem nos lábios censuras. Apenas conselhos e, as mais das vezes, velados.

        Ao fazer uma crítica qualquer, ela sempre irá pensar antes: que conseqüência se há de tirar destas palavras?

        Homens! Quando será que julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes com o que fazem vossos irmãos?

        Quando só tereis olhares severos sobre vós mesmos?

        Sede severos para convosco, indulgentes para com os outros.

        Lembrai-vos de que, talvez, tenhais cometido faltas mais graves.

        Sede indulgentes, meus amigos, porquanto a indulgência atrai, acalma, ergue, ao passo que o rigor desanima, afasta e irrita.
Eis mais uma virtude fundamental para aqueles de nós que desejamos viver a Nova Era, a era do bem.

        A indulgência não se entende por conivência com a coisa errada, de forma alguma, mas, de uma forma benevolente, de tratar a alma equivocada.

        Nossa severidade excessiva com os outros pouco resolve. E, pelo contrário, esta ferocidade em nosso julgamento só nos tem trazido prejuízos morais.

        Quase sempre nossa crítica, nossa condenação, não visa o bem do outro, mas sim uma satisfação desequilibrada em simplesmente falar mal, ou condenar.

        Mecanismo psicológico de projecção, muitas vezes nos mostra no outro aquilo que detestamos em nós, e como fuga desastrosa, ao acusar, imaginamos que podemos nos livrar do mal intrínseco à nossa alma enferma.

        Acusar por acusar nunca nos trará o bem que desejamos, a paz que anelamos tanto.

        A maledicência é provocadora de prazer mórbido que atesta deficiência de carácter humano.

        Sejamos assim, indulgentes, da mesma forma que o Criador o é sempre connosco, vendo o que temos de bom, e sempre nos dando novas chances de acertar após nossos erros.

        Reforçar o erro de outrem é valorizar o negativo. É dar-lhe um destaque maior do que o necessário

        A indulgência é caridade, é compreensão e perdão.

Cap. X, itens 16 a 18 do livro: 
O evangelho Segundo o Espiritismo,de Allan Kardec



13/11/2011

O Mal e o Remédio...

 















O sofrimento constitui uma valiosa oportunidade dada por Deus para corrigirmos nossos erros, sendo que na fé encontramos um remédio seguro para nosso sofrimento nos permitindo ver que as dores de hoje, se bem suportadas, são na verdade um prenúncio da felicidade que nos aguarda. Tendo aceitação e serenidade independente do que ocorre em nossa vida e confiança na misericórdia de Deus, pois Ele nunca nos desampara e nos ama incondicionalmente.

Silvânia.


 Será a Terra um lugar de gozo, um paraíso de delicias? Já não ressoa mais aos vossos ouvidos a voz do profeta? Não o proclamou que haveria prantos e ranger de dentes para os que nascessem nesse vale de dores?


Esperai, pois, todos vós que aí viveis causticantes lágrimas e amargo sofrer e, por mais agudas e profundas sejam as vossas dores, volvei o olhar para o Céu e bendizei do Senhor por ter querido experimentar-vos... Ó homens! Dar-se-á não reconheçais o poder do vosso Senhor, senão quando ele vos haja curado as chagas do corpo e coroado de beatitude e ventura os vossos dias? Dar-se-á não reconheçais o seu amor, senão quando vos tenha adornado o corpo de todas as glorias e lhe haja restituído o brilho e a brancura? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Tendo chegado ao ultimo grau da abjeção e da miséria, deitado sobre uma estrumeira, disse ele
a Deus: "Senhor, conheci todos os deleites da opulência e me reduzistes a mais absoluta
miséria; obrigado, obrigado, meu Deus, por haverdes querido experimentar o vosso servo!"

Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita?
Quando, afinal, vossa alma se decidirá a lançar-se para alem dos limites de um túmulo? Houvésseis de chorar e sofrer a vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória reservada ao que tenha sofrido a prova com fé, amor e resignação? Buscai consolações para os vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhe a causa no passado. E vós, que mais sofreis, considerais-vos os afortunados da Terra.

Como desencarnados, quando pairáveis no Espaço, escolhestes as vossas provas, julgando-vos bastante fortes para suportá-las. Por que agora murmurar? Vós, que pedistes a riqueza e a glória, queríeis sustentar luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de corpo e espírito contra o mal moral e físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, tanto mais gloriosa a vitória e que, se triunfásseis, embora devesse o vosso corpo parar numa estrumeira, dele, ao morrer, se desprenderia uma alma de rutilante alvura e purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédio, então, prescrever aos atacados de obsessões cruéis e de cruciantes males? Só um é infalível: a fé, o apelo ao Céu. Se, na maior acerbidade dos vossos sofrimentos, entoarem hinos ao Senhor, o anjo, a vossa cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia ocupareis... A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal ulcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as punitivas angustias da aflição.

O Senhor pôs o seu selo em todos os que nele crêem. O Cristo vos disse que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e tem a fé por amparo ficara sob a sua égide e não mais sofrera. Os momentos das mais fortes dores lhe serão as primeiras notas alegres da eternidade. Sua alma se desprendera' de tal maneira do corpo, que, enquanto se estorcer em convulsões, ela planara nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de reconhecimento e de gloria ao Senhor.

 Ditosos os que sofrem e choram! 
Alegres estejam suas almas, porque Deus as cumulara de bem-aventuranças. 

Santo Agostinho. (Paris, 1863.)
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Cap. V - Item 19
                                   









31/03/2011

A Lei de Amor



O Amor resume a doutrina de Jesus inteira, visto que é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. 
Em sua origem o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos.
E o ponto delicado do sentimento é o AMOR.
Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas.
A Lei de Amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais.
Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seu irmãos em sofrimento!
Ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo.
Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo.
Quando Jesus pronunciou a divina palavra - Amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Amor é essência divina,  e todos tem no fundo do coração, a centelha do fogo sagrado.
O Evangelho Segundo o Espiritismo

Bem meus amigos, inúmeras vezes visualizamos as pessoas afirmarem que ama excessivamente o seu próximo, quando percebemos que tal afirmativa se origina do amor entre casais ou pai, mãe e filho, etc.
Então analisemos será que esse amor dirigido apenas a um ser, não seja significado de egoísmo?
Vamos refletir profundamente...
Será que amo apenas minha mulher (namorada), marido (namorado), meus filhos, pais...
E quando vejo meu ente querido dando uma assistência para uma outra pessoa, me sinto enciumado(a)?
O Amor verdadeiro meus amigos, não há espaço para ciúmes, para concorrência...
Esse sentimento nobre quando é verdadeiro, ele vêm muitas vezes cheio de renúncia; sim, digo cheio de renúncia, pois muitas vezes uma pessoa que temos um sentimento especial em relação a ela, está vivendo em outros lugares com outras pessoas.
Eu recomendo a leitura do livro: Renúncia de Chico Xavier, onde Alcione renuncia tudo que conquistou no planos superiores para descer à Terra e vestir a veste carnal para poder auxiliar o progresso do ser que ela ama. É um livro de muito ensinamento.
Mas o Amor a que me refiro aqui, como disse inicialmente, não é aquele amor exclusivo.
Me refiro ao Amor Fraterno, esse sim é o Amor verdadeiro, sem egoísmo, orgulho, ou ciúmes, inveja.
É um Amor que nos faz crescer, que leva o progresso as massas.
Quando sentimos esse fogo divino no nosso ser, não ficamos felizes diante as desigualdades humanas que ainda prospera no nosso planeta.
Não aceitamos as coisas erradas que ocorrem, realizamos nossa reforma íntima sempre, para podermos melhorarmos como pessoas, como seres humanos.
Olhamos o nosso próximo com mais amor, mais carinho, auxiliamos uns aos outros sem esperar nada em troca.
É um sentimento maravilhoso, quando vivenciamos esse amor, percebemos que nossas dores são pequenas diante as dores dos nosso irmãos.
Não perdemos a oportunidade de fazermos o bem em momento algum.
Não vemos defeito nas pessoas que nos cercam, visto que todos estamos aqui para evoluirmos, procuraremos ver o que há de positivo em relação a esse irmão, e abafar um defeito que porventura percebermos...
É um exercício diário...
É o sentimento que Jesus veio nos ensinar há muito tempo atrás, e só agora estamos  tentando compreende-lo em todos os sentidos.
Que sentimento de Amor maior que o Cristo fez por nossa humanidade?
E a Renúncia que ele viveu para exemplificar a humildade e o Amor ao próximo para seguirmos seu exemplo?
E Chico Xavier?
Quanto amor dedicou a todos os irmãos que o procurava...
São exemplos para seguirmos, e não esquecermos nunca o que perguntaram a Jesus:
- Senhor, qual é o maior mandamento da Lei?
ele pensando, respondeu logo em seguida:
- "Amarás a Deus de todo o seu coração e o seu próximo como a si mesmo".
Então fica ai essa resposta que resume tudo o que Jesus veio nos ensinar para refletirmos sobre nossas atitudes e sentimentos.




19/03/2011

Indissolubilidade no Casamento





Não separar o que Deus juntou 

Indissolubilidade do casamento

1. Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: -Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? - Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou. 
Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? - Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. - Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério. (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.) 

 
2. Imutável só há o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudança. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de tal modo humanas, que não há, no inundo inteiro, nem mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam absolutamente idênticas, e nenhum onde não hajam, com o tempo, sofrido mudanças. Daí resulta que, em face da lei civil, o que é legítimo num país e em dada época, é adultério noutro país e noutra época, isso pela razão de que a lei civil tem por fim regular os interesses das famílias, interesses que variam segundo os costumes e as necessidades locais. Assim é, por exemplo, que, em certos países, o casamento religioso é o único legítimo; noutros é necessário, além desse, o casamento civil; noutros, finalmente, este último casamento basta. 
 
3. Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Quando tudo vai pelo melhor consoante esses interesses, diz-se que o casamento é de conveniência e, quando as bolsas estão bem aquinhoadas, diz-se que os esposos igualmente o são e muito felizes hão de ser. 
Nem a lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente, separarem-se por si mesmos os que à força se uniram; torna-se um perjúrio, se pronunciado como fórmula banal, o juramento feito ao pé do altar. Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Ao dizer Deus: "Não sereis senão uma só carne", e quando Jesus disse: "Não separeis o que Deus uniu", essas palavras se devem entender com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens. 
 
4. Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina promanam dos prejuízos e não da lei civil. Esses prejuízos, se bem ainda vivazes, já perderam muito do seu predomínio no seio dos povos esclarecidos; desaparecerão com o progresso moral que, por fim, abrirá os olhos aos homens para os males sem conto, as faltas, mesmo os crimes que decorrem das uniões contraídas com vistas unicamente nos interesses materiais. Um dia perguntar-se-á o que é mais humano, mais caridoso, mais moral: se encadear um ao outro dois seres que não podem viver juntos, se restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número de uniões irregulares. 

O divórcio

5. O divórcio é lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já, de fato, está separado. Não é contrário à lei de Deus, pois que apenas reforma o que os homens hão feito e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta a lei divina. Se fosse contrario a essa lei, a própria Igreja seria obrigada a considerar prevaricadores aqueles de seus chefes que, por autoridade própria e em nome da religião, hão imposto o divórcio em mais de uma ocasião. E dupla seria aí a prevaricação, porque, nesses casos, o divórcio há objetivado unicamente interesses materiais e não a satisfação da lei de amor. 
Mas, nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. Não disse ele: "Foi por causa da dureza dos vossos corações que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres?" Isso significa que, já ao tempo de Moisés, não sendo a afeição mútua a única determinante do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Acrescenta, porém: "no princípio, não foi assim", isto é, na origem da Humanidade, quando os homens ainda não estavam pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho e viviam segundo a lei de Deus, as uniões, derivando da simpatia, e não da vaidade ou da ambição, nenhum ensejo davam ao repúdio. 
Vai mais longe: especifica o caso em que pode dar-se o repúdio, o de adultério. Ora, não existe adultério onde reina sincera afeição recíproca. É verdade que ele proíbe ao homem desposar a mulher repudiada; mas, cumpre se tenham em vista os costumes e o caráter dos homens daquela época. A lei moisaica, nesse caso, prescrevia a lapidação. Querendo abolir um uso bárbaro, precisou de uma penalidade que o substituísse e a encontrou no opróbrio que adviria da proibição de um segundo casamento. Era, de certo modo, uma lei civil substituída por outra lei civil, mas que, como todas as leis dessa natureza, tinha de passar pela prova do tempo.

 
                      (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XXII)

13/03/2011

Destino da Terra e Causa das Misérias Humana








Admira-se de haver sobre a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa idéia do conjunto. É necessário considerar que toda a humanidade não se encontra na Terra, mas apenas uma pequena fração dela. Porque a espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo. Ora, o que seria a população da Terra, diante da população total desses mundos? Bem menos que a de um lugarejo em relação a de um grande império. A condição material e moral da humanidade terrena nada tem, pois, de estranho, se levarmos em conta o destino da Terra e a natureza de sua população.

Faríamos uma idéia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, a maior parte dos habitantes são pálidos, fracos e doentes. Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciária, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres. Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às casas de correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias.
Ora, da mesma maneira que , numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acha curado de suas enfermidades morais.


Retirado do 'Evangelho Segundo o Espiritismo' – Allan Kardec
(Cap. III – Há Muitas Moradas...)

06/03/2011

Deixai vir a mim as criancinhas...





                                                                                              
A Primeira Escola

Deixai vir a mim os pequeninos...

Quando Jesus atribuiu a si mesmo a qualidade de Caminho, Verdade e Vida, não fez, logicamente, uma declaração de ordem pessoal, mas se referiu, decerto, à mensagem que trouxera aoMundo, em nome e por delegação do Pai.
Reportou-se o Mestre, sem dúvida, aos ensinos, ao roteiro que traçava por norma de aperfeiçoamento, à moral que pregava e exemplificava.
O Evangelho é Caminho, porque, seguindo-o, não nos perderemos nas sombrias veredas da incompreensão e do ódio, da injustiça e da perversidade, mas perlustraremos, com galhardia e êxito,as luminosas trilhas da evolução e do progresso — da ascensão e da felicidade que se não extingue.
O Evangelho é Verdade, porque é eterno.
Desafia os séculos e transpõe os milênios.
Perde-se no Infinito dos Tempos. . .
O Evangelho é Vida, porque a alma que se alimenta dele, e nele vive, ganhará a vida eterna.
Aquele que crê em Jesus e pratica os Seus ensinos viverá — mesmo que esteja morto.

                                                                 ***

 Deixar ir a Jesus os pequeninos, levar as crianças ao Mestre não significa, pois, organizar, objetiva e materialmente, uma caravana de Espíritos de meninos — encarnados ou desencarnados —para, em luminosa carruagem, romperem as barreiras espaciais, vencerem as distâncias cósmicas eprostrarem-se, devotamente, ante o Excelso Governador Espiritual do Mundo, com a finalidadeinconcebível, porque absurda, de Lhe tributarem pomposas homenagens.

Conduzir as crianças a Jesus significa incutir-lhes nos corações os preceitos evangélicos, a fim de que os seus atos possam revelar, no futuro, nobreza e dignidade.
O Espiritismo, através das Escolas de Evangelho, vem cuidando de levar os pequeninos ao Mestre, fazendo-os apreender as imortais lições da Boa Nova do Reino.
Urge, contudo, que o meritório esforço das nossas instituições, polarizando-se na
criança, não encontre obstáculos na despreparação evangélica dos pais, para evitar que a criança "ouça", nos Centros, luminosos conceitos de espiritualidade e moral, mas "veja" e "sinta", dentro de casa, no próprio lar, inadequadas atitudes de egoísmo e torpeza.

Não basta, pois, evangelizar a criança nas Instituições Espíritas.
E' imprescindível que essa educação alcance, também, os genitores ou responsáveis,
evitando-se, destarte, se estabeleça na incipiente alma infantil a desastrosa confusão de "ver" e"ouvir", em casa, atitudes e conceitos bem diversos dos que "vê" e "ouve" nas aulas de Evangelho eEspiritismo.
A primeira escola é o lar.
E o lar evangelizado dá à criança, grava-lhe, na consciência, as firmes noções do Cristianismo sentido e vivido.
Imprime-lhe, no caráter, os elementos fundamentais da educação.

E' necessário que a criança sinta e se impregne, no santuário doméstico, desde os primeirosinstantes da vida física, das sublimes vibrações que só um ambiente evangelizado pode assegurar,para que, simultaneamente com o seu desenvolvimento moral e intelectual, possa ela "ver"o que ébelo, "ouvir" o que é bom e "aprender" o que é nobre.
Se o lar não é evangelizado, as lições colhidas fora dele podem ser, apenas, um conhecimento a mais, no campo religioso, para a inteligência infantil.
Um conhecimento a mais não passa de um acidente instrutivo. E o que devemos buscar é a realidade educativa, moral, que tenha sentido de perene renovação.

Cuidar da criança—- esquecendo os pais da criança— parece-nos esforço incompleto.
Não adianta ser a criança aconselhada, na Escola de Evangelho, por devotadas
instrutoras ou instrutores, a se expressarem de maneira conveniente, se observa ela em casa palavrões e gírias maliciosas, impropriedades e xingamentos.

Se o lar é uma escola— A PRIMEIRA ESCOLA— e se os pais representam para os
filhos, como primeiros educadores, o que há de melhor, sob o ponto de vista de cultura e respeito, experiência e autoridade, evidentemente a criança será inclinada — entre os pais que proferem palavrões e grosserias e a professora de Evangelho que ensina boas maneiras e sobriedade no vocabulário— a seguir os primeiros.
Com os pais a criança dorme, levanta-se, faz refeições e convive, diuturnamente.
O convívio da criança, na Aula de Evangelho, com os instrutores, verifica-se uma vez por semana, durante uma hora ou pouco mais.
E não nos esqueçamos de que, na opinião dos filhos, os pais são os maiores.
Contribuir para que os pequeninos possam "ir a Jesus", mediante o aprendizado evangélico,representa, a nosso ver,providênciacorrelata,simultâneacomo esforço de "levar a Jesus" os pais,preparando-os, condignamente, para a missão da paternidade ou da maternidade.
Informa a sabedoria popular que o exemplo deve vir de cima...

EMMANUEL, O Consolador, Primeira Parte, Capítulo V , Ciências Aplicadas.

108 — Onde a base mais elevada para os métodos de educação?

— As noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida, constituem a base de toda a educação, no sagrado instituto da família.

109 — O período infantil é o mais importante para a tarefa educativa?

— O período infantil é o mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos.


Até aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para nova existênciaque lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e amatéria orgânica. Suas recordações do plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se maissuscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios deresponsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar.


Eis por que o lar é tão importante para a edificação do homem, e por que tão profunda é a missão da mulher perante as leis divinas.
Passada a época infantil, credora de toda vigilância e carinho por parte das energias paternais,os processos de educação moral, que formam o caráter, tomam-se mais difíceis com a integração doEspírito em seu mundo orgânico material, e, atingida a maioridade, se a educação não se houver feitono lar, então, só o processo violento das provas rudes, no mundo, pode renovar o pensamento e aconcepção das criaturas, porquanto a alma reencarnada terá retomado todo o seu património nocivodo pretérito e reincidirá nas mesmas quedas, se lhe faltou a luz interior dos sagrados princípios educativos.

113 — Os pais espiritistas devem ministrar a educação doutrinária a seus filhos ou podem deixar de fazê-lo invocando as razões de que, em matéria de religião, apreciam mais a plena liberdade dos filhos?

— O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas,e os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandesrevelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encaradacom indiferença.


O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode darensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado. Aprópria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta daalma necessitada de expiação e corretivo?
Além disso, os pais espiritistas devem compreender que qualquer indiferença nesse particularpode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e àausência de amor à verdade.


Deve nutrir-se o coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé emDeus. Agir contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso de ontem a mesma porta larga para osexcessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.


Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas,entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuárioonde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.

EMMANUEL, O Consolador, Segunda Parte, Capítulo III , Cultura.

204 — A alma humana poder-se-á elevar para Deus tão-somente com o progresso moral, sem os valores inte-lectivos?

— O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.


No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral eadiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, emparticular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém,considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moralpode oferecer numerosas perspectivas de queda.
na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.

DIVALDO PEREIRA FRANCO, Palavras de Luz, Sob a inspiração de diversos espíritos, P. 20.

Os pais podem ajudar a evangelização no lar, sobretudo pela exemplificação.Éa
exemplificação a melhor metodologia para que se inculquem as idéias que desejamos penetrem
naqueles que vivem conosco.

DIVALDO PEREIRA FRANCO, Palavras de Luz, Sob a inspiração de diversos espíritos, P. 37.

Aqui estão vários educadores desencarnados, participando conosco e inspirando-nos a
considerar a educação, a evangelização infanto-juvenil à luz do Espiritismo, meta prioritária
das nossas atividades nolar,na escola e no Centro Espírita, sem o que, não teremos uma
humanidade feliz.

DIVALDO PEREIRA FRANCO, Palavras de Luz, Sob a inspiração de diversos espíritos, P. 40.
(...) a tarefa da evangelização espírita infanto juvenil é mais do que um dever.

Trata-se da construção da futura humanidade.

DIVALDO PEREIRA FRANCO, Palavras de Luz, Sob a inspiração de diversos espíritos, P. 44.

Cabe aos pais a aplicação da energiae maior exigência em relação aos filhos. Como
normalmente estão cansados no dia de domingo, às fezes, justificam-se e me dizem: "Deixa o meninofolgar hoje, coitado. Ele estudou a semana inteira", demonstrando assim que não acreditam naexcelência da Doutrina Espírita para os seus filhos.

ALLAN KARDEC, OBRAS PÓSTUMAS, O EGOISMO E O ORGULHO.

Para que os homens vivam na Terra como irmãos, não basta se lhes dêem lições demoral; importa destruir as causas de antagonismo, atacar a raiz do mal: o orgulho e o egoísmo.


O Espiritismo é, sem contradita, o mais poderoso elemento de moralização, porque
mina pela base o egoísmo e o orgulho, facultando um ponto de apoio à moral.Há feito
milagres de conversão; é certo que ainda são apenas curas individuais e não raro parciais. O que, porém, ele há produzido com relação a indivíduos constitui penhor do que produzirá um dia sobre as massas. Não lhe é possível arrancar de um só golpe as ervas daninhas. Ele dá a fé e a fé é a boa semente, mas mister se faz que ela tenha tempo de germinar e de frutificar,razão por que nem todos os espíritas já são perfeitos.

Ele tomou o homem em meio da vida, no fogo das paixões, em plena força dos preconceitos ese, em tais circunstâncias, operou prodígios, que não será quando o tomar ao nascer, ainda virgem detodas as impressões malsãs; quando a criatura sugar com o leite a caridade e tiver a fraternidade aembalá-lo;quando, enfim, toda uma geração for educada e alimentada com idéias que a razão, desenvolvendo- se, fortalecerá, em vez de falsear? Sob o domínio destas idéias,a cimentarem a fé comum a todos, não mais esbarrando o progresso no egoísmo e no orgulho, as instituições se reformarão por si mesmas e a Humanidade avançará rapidamente para os destinos que lhe estão prometidos na Terra, aguardando os do céu.