26/10/2009
Receita de Paz...
Ora com mais confiança em Deus. Trabalha um tanto mais. Serve com mais alegria. Age mais caridosamente. Desculpa as faltas alheias com mais compaixão pelos ofensores. Usa mais calma, particularmente nas horas difíceis. Tolera, com mais paciência, as situações desagradáveis. Coloca mais gentileza no trato pessoal. Emprega mais serenidade na travessia de qualquer provação. E, assim, com a benção de Deus, encontrarás mais segurança e paz, nas estradas do tempo, garantindo-te o êxito preciso nos deveres de cada dia, a caminho da vida maior.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
Ao levantar-se
Agradeça a Deus a bênção da vida, pela manhã.Se você não tem o hábito de orar, formule pensamentos de serenidade e otimismo, por alguns momentos, antes de retomar as próprias atividades.Levante-se com calma.Se deve acordar alguém, use bondade e gentileza, reconhecendo que gritaria ou brincadeiras de mau gosto não auxiliam em tempo algum.Guarde para com tudo e para com todos a disposição de cooperar para o bem.Antes de sair para a execução de suas tarefas, lembre-se de que é preciso abençoar a vida para que a vida nos abençoe.
Autor: André Luiz
Psicografia de Chico Xavier
O Cristo Consolador - O Jugo Leve
O jugo leve
1. Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.)
2. Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que eu vos aliviarei." Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por ele ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas, esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade. Consolador prometido
3. Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. -Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito. (S. JOÃO, cap. XIV, vv. 15 a 17 e 26.)
4. Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido. O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: "Ouçam os que têm ouvidos para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores. Disse o Cristo: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho. Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
Advento do Espírito de Verdade
5. Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis." Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro. Homens fracos, que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai. Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades. Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade." - O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.)
6. Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas. Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.) Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio dAquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. - O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
7. Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes. - O Espírito de Verdade. (Bordéus, 1861.)
8. Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece continua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõe. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o espírito. - O Espírito de Verdade. (Havre, 1863.).133
CAPÍTULO VI, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITSMO.
13/08/2009
Emmanuel

Emmanuel
Por mais de 70 anos, Chico Xavier esteve unido com Emmanuel, seu mentor espiritual, na missão de propagar os ensinamentos do Espiritismo. Com certeza, este é o relacionamento entre um encarnado e um desencarnado mais conhecido e comentado dos últimos tempos, pois é impossível para todos aqueles que acreditam e seguem a doutrina espírita imaginá-los separados. Por meio da inquestionável medi unidade psicografia de Chico, ambos realizaram um trabalho que jamais se perderá com o tempo, tamanho o acervo de informações e conhecimentos encontrados em centenas de obras publicadas.
O mentor que acompanhou o médium mineiro desde a infância só veio a se manifestar pela primeira vez duas décadas depois, em uma das reuniões na fazenda de Dona Carmem, que ouviu nitidamente uma voz pedindo lápis e papel, pois iria ditar uma mensagem. Em seguida, esse espírito se identificou como Emmanuel e, daí em diante, ficou mais próximo do médium e companheiro inseparável.
As produções psicografias começaram em 1927, porém, as mensagens recebidas até 1931 foram inutilizadas, atendendo a um pedido de Emmanuel, pois elas tinham o objetivo de treinar Chico. A partir de então, o mentor assumiu o encargo de orientar todas as atividades medi únicas dele.
As encarnações passadas
Em muitas obras de Chico Xavier, os prefácios trazem palavras de Emmanuel sobre suas encarnações passadas. Porém, questionado várias vezes sobre o assunto, ele sempre preferiu não tecer maiores comentários, alegando razões particulares e relevantes.
Entre algumas de suas dissertações, encontram-se passagens de fundamental importância para a compreensão do universo de sua tarefa junto ao querido médium mineiro. No romance Há Dois Mil Anos, por exemplo, Emmanuel descreve uma de suas encarnações anteriores, quando foi o senador romano Públio Lentulus na época em que Jesus esteve na Terra. Cogita-se que Chico possa ter sido a filha dele, chamada Flávia, fato que teria constituído um forte elo de amor que perdura ainda hoje, porém, nada foi confirmado até então.
No livro 50 Anos Depois, Emmanuel se dirige mais uma vez aos leitores para relatar sua passagem no plano terrestre, desta vez como um escravo chamado Nestório. Segundo ele, a finalidade dessa reencarnação, ocorrida cinqüenta anos depois do desencarne do senador romano, era a de reparar erros do passado. Ele prossegue nos relatos sobre suas vidas anteriores no romance Renúncia, quando diz que esteve encarnado como padre Daminiano, vigário da igreja de São Vicente, na cidade espanhola de Ávila. Há indícios também de que Emmanuel teria sido o padre Manoel da Nóbrega, famoso catequisador do início da colonização brasileira e um dos fundadores da cidade de São Paulo (SP). No livro Amor e Sabedoria de Emmanuel, do professor Clóvis Tavares, encontra-se o seguinte comentário: "Completam-se, assim, neste 1970, quatrocentos anos de Nóbrega (Padre Manoel da Nóbrega) e quarenta anos de Emmanuel, nesse apostolado espiritual de oferecer um novo sentido da vida aos filhos da Terra".
Enfim, durante todo esse tempo de trabalho conjunto, um vivendo no plano terrestre e o outro no mundo dos espíritos, muito se questionou sobre a identidade do passado encoberta pela sabedoria divina. A dúvida permanece sem respostas concretas, mas será que tal questão possui maior importância do que todo o bem que os dois fizeram pela humanidade? Basta analisarmos o conteúdo das obras e, principalmente, o grande exemplo de renúncia dedicado em favor do bem comum para que a resposta não demore a aparecer.
As encarnações passadas
Sob uma humildade exemplar, Chico Xavier sempre demonstrou claramente o seu grande amor e, sobretudo, respeito por todo conhecimento existente em seu mentor espiritual. O livro Emmanuel - Dissertações medi únicas sobre importantes questões que preocupam a humanidade, traz um comentário de Chico no qual ele descreve como foi que todo o trabalho começou, deixando clara sua gratidão pelo amigo e mentor.
Veja:
"Lembro-me de que, em 1931, em uma de nossas reuniões habituais, vi ao meu lado, pela primeira vez, o bondoso espírito Emmanuel. Eu psicografava, naquela época, as produções do primeiro livro mediúnico recebido através de minhas humildes faculdades (Parnaso de Além- Túmulo) e experimentava os sintomas de grave moléstia dos olhos. Via-lhe os traços fisionômicos de homem idoso, sentindo minha alma envolvida na suavidade de sua presença. Mas o que mais me impressionava era que a generosa entidade se fazia visível para mim dentro de reflexos luminosos em forma de cruz. Às minhas perguntas naturais respondeu o bondoso guia:
- Descansa! Quando te sentires mais forte, pretendo colaborar igualmente na difusão da filosofia espiritualista. Tenho seguido sempre os teus passos e só hoje me vês, na tua existência de agora, mas os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem suas raízes na noite profunda dos séculos.
Essa afirmativa foi, para mim, um imenso consolo e, desde essa época, sinto constantemente a presença desse amigo invisível que, dirigindo as minhas atividades mediúnicas, está sempre ao nosso lado em todas as horas difíceis, ajudando-nos a raciocinar melhor no caminho da existência terrestre.
A sua promessa de colaborar na difusão da consoladora doutrina dos espíritos tem sido cumprida integralmente. Desde 1933, Emmanuel tem produzido, por meu intermédio, as mais variadas páginas sobre os mais variados assuntos. Solicitado por confrades nossos para se pronunciar sobre esta ou aquela questão, noto-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, sempre tratando todos os problemas com o maior respeito pela liberdade e pelas idéias dos outros. Convidado a se identificar várias vezes, esquivou-se delicadamente, alegando razões particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, em sua última passagem pelo planeta, padre católico desencarnado no Brasil.
Levando suas dissertações, de fato, Emmanuel, em todas as circunstâncias, tem dado a quantos o procuram o testemunho de grande experiência e cultura. Para mim, tem sido ele de incansável dedicação. Junto do espírito bondoso daquela que foi minha mãe na Terra, sua assistência tem sido um apoio para o meu coração nas lutas penosas de cada dia. Muitas vezes, quando me coloco em relação com as lembranças de minhas vidas passadas e quando sensações angustiosas me prendem o coração, sinto sua palavra amiga e confortadora. Emmanuel me leva, então, às eras mortas e me explica os grandes e pequenos porquês das atribulações de cada instante. Recebo invariavelmente, com sua assistência, um conforto indescritível e é assim que renovo minhas energias para a tarefa espinhosa da medi unidade, na qual somos ainda tão incompreendidos.
Alguns amigos, considerando o caráter de simplicidade dos trabalhos de Emmanuel, esforçaram-se para que este volume despretensioso surgisse no campo da publicidade. Entrar na apreciação do livro, em si mesmo, é coisa que não está na minha competência. Apenas me cumpria o dever de prestar, ao generoso guia dos nossos trabalhos, a homenagem do meu reconhecimento com a expressão da verdade pura, pedindo a Deus que o auxilie cada vez mais, multiplicando suas possibilidades no mundo espiritual e lhe derramando, na alma fraterna e generosa, as luzes benditas de seu infinito amor".
Compromisso com o trabalho
Embora o carinho e o respeito tenham sido duas constantes em ambas as partes, Emmanuel sempre teve como característica, de acordo com relatos do próprio Chico, manter o compromisso com a tarefa designada, independentemente do sacrifício que fosse necessário para tanto. Prova disso foram as respostas dadas às indagações do médium, quando dizia que se ele, Chico, quisesse mesmo desempenhar o trabalho mediúnico, deveria respeitar três pontos básicos: "disciplina, disciplina e disciplina". Disse-lhe ainda que pretendia trabalhar por longo tempo ao seu lado, mas que Chico deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus Cristo e Allan Kardec. Por fim, alertou que, se algum dia, ele aconselhasse algo fora das palavras destes dois mestres, que o médium ficasse com eles e o esquecesse.
Também em trechos extraídos de declarações dadas por Chico Xavier, é possível conferir as repreensões feitas pelo amigo e mentor espiritual quando o médium, em alguns momentos, caía em tristeza ou lamúrias. Emmanuel dizia que ele não deveria colocar seus problemas pessoais acima do trabalho e Chico assim o fez. Enfrentou diversos obstáculos, causados por dificuldades físicas, para levar luz, paz e conhecimento para toda a humanidade, sempre amparado e pela grande sabedoria e amor de Emmanuel, seu inseparável companheiro de jornada.
A PALAVRA DE EMMANUEL
Além da supervisão das atividades mediúnicas de Chico Xavier durante todos esses anos de trabalho conjunto, Emmanuel enviou uma infinidade de mensagens de sua autoria ao médium, em diferentes lugares e momentos. Várias delas constam em diversas obras psicografadas de Chico. A seguir, apresentamos uma dessas mensagens:
"Um recado de servidor a cada coração amigo, ante o Natal de Jesus: Nunca te deixes vencer pelo desânimo. Acenda a luz de fé no próprio íntimo e siga adiante, trabalhando e servindo.
Diante das dificuldades que te desafiam, recorde todas aquelas outras que te figuravam inarredáveis e que superaste, sem conhecer as forças que te sustentaram nestes transes amargos.
Considerando as crises que provavelmente surjam à frente de teus passos, rememore os perigos que te ameaçaram e dos quais te descartaste, ignorando de que modo conseguiste preservar a própria vida.
Suportando inquietações que se agigantam aos teus olhos no cotidiano, lembre-se das pessoas que se fazem especialmente queridas a ti atiradas ao desequilíbrio e que regressaram à tranqüilidade, socorridas por energias que desconheces.
Se a provação te visita, asserena-te no amparo da fé e aguarde o auxílio imponderável da Espiritualidade Maior, que nem sempre registras. Em qualquer atribulação, deixe que os teus sentimentos se acalmem e espere a intervenção da Providência Divina. Não temas e sirva sempre, os mensageiros do Bem jamais nos abandonam.
Ainda mesmo nos dias em que a enfermidade do corpo te desajuste o campo orgânico, não te amedrontes e conte com o Amor da Vida Espiritual, que jamais desfalece.
Seja qual for a prova ou a dor em que te vejas, serve e confia-te a Jesus, porque Ele é a presença da bondade infinita de Deus, diante da qual não existe o impossível".
Fonte: http://www.alvorada-espirita.com
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Estudo Espírita
29/07/2009
EURÍPEDES BARSANULFO, O EDUCADOR
Na obra Eurípedes, o Homem e a Missão,
Corina Novelino nos relata o seguinte:
“Os companheiros de magistério, no Liceu Sacramentano,abandonaram Eurípedes, após sua conversão ao Espiritismo.
O mobiliário escolar fora retirado e o prédio requerido por seus proprietários.
O jovem estava abatido, mas não desanimado. O testemunho reclamara-lhe determinação e pujança na fé nova. Por isso, continuava
firme nas tarefas espíritas.
(...) Após um planejamento rápido ficara assentado o aluguel de uma sala no antigo Colégio da Profa. Ana Borges, fechado desde 1885.
Ali, com mobiliário improvidado e sem conforto, Eurípedes prosseguiu no seu esforço magnífico, em prol da Educação.
No frontal da porta modesta, lia-se: LICEU SACRAMENTANO. O currículo era o mesmo, mas
com a debandada dos colegas, Eurípedes desdobrava-se para ministrar as aulas de todas as matérias programadas.
E acrescentara, corajosamente, o ensino da Doutrina Espírita ao currículo, o que suscitara o
descontentamento dos pais católicos.
A maioria levou a Eurípedes a ameaça de retirar os filhos do Liceu, caso mantivesse o Professor
a decisão de lecionar Espiritismo.”
- “Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizado espírita será mantida.”
“Um dia, porém, ele se entristecera profundamente. Achava-se abandonado quase, no vazio da
sala de aulas. Pusera-se a chorar, no silêncio de ardorosa prece. (...)
Eis que uma força superior toma-lhe o braço e, mecanicamente, transmite pequena mensagem,
mais ou menos nestes termos:”
”Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano -
que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome - Colégio Allan
Kardec.
Ensine o Evangelho de meu filho às quartas-feiras e institua um curso de Astronomia.
Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor.
Maria, Serva do Senhor”segundo Corina Novelino, na obra citada “Eurípedes seguiu à risca as instruções espirituais de Maria Santíssima.”
“Tem início para Sacramento a maior campanha educacional, conhecida até então. Antigos alunos
do Liceu Sacramentano reintegram-se ao novo educandário e mais de duas centenas de outros
estudantes são encaminhados ao Colégio Allan Kardec.
(...) Antigos alunos conservaram, carinhosamente, importantes apostilas fornecidas por Eurípedes
sobre questões de Língua Portuguesa, Astronomia e Fundamentos da Doutrina Espírita.
As quartas-feiras eram consagradas inteiramente ao estudo de O Evangelho Segundo o Espíritismo
e O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Assistiam a essas aulas os alunos do Colégio e numerosos visitantes. O início das aulas dava-se às 12 e meia horas, prolongando-se até quinze horas aquelas lições excepcionais para todos.”
Corina nos conta que as aulas se iniciavam com uma prece: “A voz sonora e vi brante de Eurípedes
ergue-se na reprodução do Pai Nosso, de Jesus, na sua opinião, a prece que tras em cada palavra um potencial magnético capaz de transformar o mundo, porque proveio dos lábios sublimes do Cristo...”
Eurípedes Barsanulfo, o educador
“Era o instante da prece de encerramento.
(...) Eurípedes, de pé, pronuncia comovedora oração
de agradecimento. E é no decorrer desta que, em geral, ele penetra a faixa dos Mensageiros do
Senhor, em transe sonambúlico. Eis que, às vezes, sua voz possante assume o timbre infantil: - é
Celina, a pequena e luminescente intérprete de Maria quem vem trazer a palavra de estímulos santos da própria Mãe de Jesus, cujo carinho pelo Colégio Allan Kardec jamais esmorece.
De outras vezes, comparecem ao festim espiritual outros luminares de Esferas Superiores, tais
como Jeanne D’Arc, Paulo de Tarso, Pedro, Felipe, outros discípulos do Cristo, que se aproveitam do grande momento para endereçar à criatura terra a sua mensagem de luz.”
Corina, em nota de rodapé, nos relata que “essas aulas despertavam tanto interesse que os
alunos do curso superior não perdiam as sessões mediúnicas, no sentido de enriquecerem suas
pesquisas com os conceitos dos Espíritos Benfeitores.”
Ao mudar o nome da escola para Colégio Allan Kardec, por sugestão de Maria, a mãe de Jesus,
Eurípedes caracterizou a escola como espírita e, portanto, com uma proposta pedagógica baseada
na Doutrina Espírita.
Eurípedes Barsanulfo inaugurava assim o primeiro colégio espírita do mundo com o nome de
Colégio Allan Kardec, sob a égide de Maria, a mãe de Jesus. O ensino da Doutrina Espírita era parte integrante do currículo da escola, ensinando o Evangelho de Jesus, e um curso de astronomia, conforme as recomendações de Maria. A verdade triunfava do preconceito, do orgulho e do fanatismo religioso.
Nesta proposta pedagógica, estava inserido tanto os objetivos, a metodologia quanto o conteúdo
curricular.
Ao lado das matérias tradicionais, Eurípedes incluira o ensino da Doutrina Espírita, não titubeando
ao utilizar O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo, com os alunos, além de
utilizar a oração e o exercicio de sua mediunidade extraordinária, onde se comunicavam Espíritos de alta envergadura, trabalhadores de Jesus, como Paulo, Pedro, Filipe e outros, conforme nos narra Corina. Os alunos maiores, segundo a biografa, não perdiam as próprias reuniões mediunicas.
Nota-se claramente, nas narrativas de Corina que o ensino primava pela qualidade elevada,
onde o aluno era levado a compreender profunda e racionalmente as lições, vivenciando o que
aprendiam, especialmente no aspecto moral.
Diante da coragem de Eurípedes, é preciso rever, com urgência, o conceito de Educação Espírita.
O ensino da Doutrina Espírita numa instituição espírita (centro, lar, orfanato, escola) representa
o ensino da Verdade Universal, necessária ao "conhecimento de si mesmo", chave do progresso
individual, como nos ensinam os Espíritos em O Livro dos Espíritos, item Perfeição Moral.
Se utilizamos o nome Espírita, temos que ser fieis aos Espíritos Superiores que tanto trabalham
para implantar essa verdade Universal em nosso Planeta.
O conteúdo libertador e a "finalidade salvadora" da Doutrina Espírita, na linguagem de Eurípedes,
deve ser divulgada e ensinada de todas as formas possíveis.
A Doutrina Espírita nos abre um mundo de possibilidades na área da educação onde, ao lado do
conteúdo Espírita, que representa essa Verdade Universal que nos leva ao “conhecimento de si mesmo” e das Leis Divinas que regem os seres e todo o cosmo, também nos propicia o desenvolvimento do sentimento, através da prática da caridade, no exercício do amor ao semelhante.
Desenvolve as potencialidades da alma que todos, como Filhos e herdeiros de Deus, trazemos
em nós mesmos, em todos os sentidos: cognitivo, afetivo e volitivo. Abre caminho para a interação
vertical, com as esferas superiores da vida Universal, em sintonia com o pensamento cósmico.
Se ainda guardamos dúvidas em nosso coração quanto a nossa tarefa de educadores, recordemos
a figura de Eurípedes, na narrativa de Corina Novelino. Quanto tudo pareceria ter sido inútil e a escola perto de fechar as suas portas, eis que a própria Maria, mãe de Jesus, o vem consolar e incentivar a manter a escola aberta e, ainda mais, a mudar o nome para "Colégio Allan Kardec" o que denota, sem qualquer dúvida, o seu carater de Escola Espírita, com uma proposta pedagógica baseada na Doutrina Espírita, em todos os seus aspectos, científico, filosófico e religioso.
Walter Oliveira Alves
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